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Movimento, futebol e música:
comentários sobre a postura vertical com espigão

Origens e finalidades musicais

Por Alexandre Moschella

I - Movimento, futebol e música

O pioneiro da postura vertical com espigão é o violonista escocês Paul Galbraith. Atualmente, poucos violonistas no mundo adotam a posição. Pode-se contá-los nos dedos. Aos poucos, no entanto, surgem novos defensores da idéia.

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A principal razão prática que me levou a adotar a postura foi a liberação do braço direito. Na posição tradicional, o braço direito do instrumentista permanece, na maior parte do tempo, apoiado sobre o corpo do violão - o que pode ser um conforto, mas também pode limitar a quantidade e o alcance dos movimentos possíveis. Liberando-se o braço direito, pode-se obter uma gama maior de movimentos. O impulso para a produção do som no violão não mais se limita ao antebraço e à mão. O som passa a resultar da força, do peso e dos movimentos do braço inteiro, com a participação do ombro e do tronco. Na verdade, o som passa a resultar de uma interação que envolve o corpo inteiro, uma vez que não existe mais nenhum obstáculo físico entre o corpo e o instrumento.

Sem dúvida é possível obter, na postura tradicional, uma excelente interação entre o corpo e o instrumento. O objetivo da nova postura é apenas ampliar as possibilidades dessa interação.

Mas qual seria a utilidade desta liberdade de movimentos? Em resumo, ela passou a ser necessária quando, inspirado por Galbraith e seu mentor musical, o pianista, regente e filósofo grego George Hadjinikos, abracei o seguinte fundamento: o som não existe sem movimento. Para que um som seja acusticamente produzido, é preciso haver movimento. E quando este movimento pode ser produzido com a máxima liberdade, o som também é favorecido.

Esta idéia do movimento anterior ao som não é apenas ergonômica. É uma idéia profundamente musical. Basta imaginar um regente: ele tem total liberdade para movimentar os braços e o corpo, transmitindo organicamente o andamento, o ritmo, a expressividade de determinada peça musical. Nada limita sua capacidade de expressão.

É claro que não seria possível um instrumentista imitar exatamente os movimentos de um regente. Ele precisa ocupar-se interagindo mecanicamente com seu instrumento para produzir a música. Mas a maior liberdade de movimento dos braços sem dúvida ajuda o intérprete a transmitir, para seu instrumento, os impulsos necessários à expressão de suas idéias musicais.

O futebol pode ilustrar a importância do movimento anterior à produção do som. Imagine um jogador que vai bater um pênalti. Ele está longe da bola, não está fisicamente ligado a ela. Antes de chutar, ele concebe seu objetivo: levar a bola a determinado espaço do gol, impulsionando-a com determinada velocidade e efeito. Quando o jogador chuta a bola, seu movimento já foi planejado. E a bola obedecerá a este plano. Também na música, o som deve ser algo resultante de uma intenção. E esta intenção é a intenção do movimento.

Galbraith resume esta concepção fundamental: "É como num jogo: não é a bola que interessa, e sim a direção que você quer dar a ela.”

Foram ensinamentos como este que me fizeram adotar a nova postura. Seu grande objetivo é evitar que o instrumento limite a relação essencial entre movimento e som.

Liberdade ao movimento!

 

II - Retoques finais

Iniciei as experiências com a nova postura apoiando o violão sobre as coxas, na vertical. O braço direito foi imediatamente beneficiado pela nova liberdade. No entanto, apoiado sobre as pernas, o violão ficava muito alto - e o braço esquerdo sofria. Seria realmente necessário um espigão para ajustar a altura do instrumento às necessidades do corpo.

Assim, uma vez decidida a postura, foi preciso providenciar um equipamento que atendesse às expectativas.

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O espigão, de madeira, foi fabricado e instalado pelo luthier paulista Antonio Tessarin. A peça poderia ter sido fixada à maneira do violoncelo, num furo na extremidade inferior do instrumento. No entanto, haveria o risco de o espigão abalar a frágil estrutura do violão, ao exercer uma força de "alavanca". A solução foi a instalação de uma peça metálica, na qual o espigão foi fixado.

Outra idéia original de Galbraith foi a caixa de ressonância. Percebendo que o espigão vibrava junto com o violão, ele experimentou apoiá-lo numa caixa de madeira, para aproveitar esta nova vibração, transformando-a em som. O resultado foi uma projeção sonora mais densa, capaz de preencher melhor o ambiente. A caixa que utilizo atualmente foi fabricada pelo luthier paulista Samuel Carvalho.

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Explorando as possibilidades de aproveitamento da vibração do espigão, Tessarin e Galbraith conceberam um recurso adicional: o estandarte. Comum na família das cordas, como o violino e o violoncelo, o estandarte é uma peça sólida fixada na extremidade inferior do instrumento, na qual se prendem as cordas. O estandarte, portanto, recebe uma forte vibração vinda das cordas. Instalando um estandarte no violão, e neste fixando ao mesmo tempo as cordas e o espigão, Tessarin conseguiu aproveitar ainda mais a vibração enviada à caixa de ressonância. Com isso, obteve um ótimo equilíbrio acústico no conjunto violão-espigão-caixa de ressonância. O estandarte de meu violão também foi fabricado por Tessarin. O estandarte - mas não o espigão - chegou a ser experimentado pelo célebre luthier alemão Hermann Hauser em 1910 (ao lado).
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Outro desafio surgiu com a variação de altura das diferentes cadeiras disponíveis em cada local onde eu me apresentava. As alturas diferentes - e imprevisíveis - criavam dificuldades inesperadas, pois a altura do violão também variava. Por isso, providenciei uma cadeira especial, na altura ideal, e passei a levá-la comigo a cada recital.

 

III - Lembrete

Para concluir, é preciso lembrar que a nova postura não pretende negar a posição tradicional - adotada com sucesso pela grande maioria dos instrumentistas. Aliás, as idéias de movimento e som podem e devem inspirar também estes. A intenção é apenas ampliar possibilidades.

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